Fogueira Gigante volta após 12 anos e emociona moradores

  • 13/07/2023
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Fogueira Gigante volta após 12 anos e emociona moradores

Renda do evento será destinada para construção da nova sede do grupo de escoteiros

O Bairro Colina Verde celebrou a volta da quermesse com Fogueira Gigante que após 12 anos foi acesa novamente. Segundo a Polícia Militar, pelo menos 3mil pessoas passaram pelo local nas duas noites de festa: 7 e 8 de julho.

O clima mais fresco e céu nublado durante o dia, não inibiram o público de comparecer em peso na festa. Em uma noite esteve agradável, sob animação do Grupo Musical Mira Som, a festa organizada por João Batista Araújo, foi endereço certeiro para toda a família.

O evento contou com apoio da Prefeitura de Mirandópolis, moradores do bairro Colina Verde e outros parceiros. Para atender ao público presente, foram montadas barracas com venda de pasteis, cachorro-quente, churros e bebidas em geral. Quem queria mais conforto, contou com as mesas alugadas e para as crianças, brinquedos infláveis que garantiram a diversão.

Morador do bairro Colina Verde, o Prefeito Municipal, Ademir Olegário (Mirão) celebrou a volta do evento que ele participa desde o início: “Era um desejo do nosso coração voltar com a fogueira, é uma festa tradicional da cidade, a população cobrava bastante que essa festa voltasse. Restamos a tradição, como é bom relembrar o passado das coisas boas que aconteceram no bairro. Para o ano que vem pretendemos melhorar mais ainda”, anunciou.

O Grupo Escoteiro Mirandus Áerbues 449 esteve fazendo uma homenagem durante o evento pois o fogo representa muito para eles.

Casa de Taipa

Uma exposição preparada pelos escoteiros encantou o público presente: “A casa de taipa representa onde surgiu as primeiras festas ao redor das fogueiras. As pessoas sentavam, tocavam sanfona, cantavam, comiam e bebiam, conversavam enquanto a fogueira ardia….rsrs…” contou Selene Lipe. Reuni as 2 tradições na casa de taipa: cultura dos povos da roça e cultura escoteira. Agora ela será removida para a “Sede dos Escoteiros”, explicou. Na área da casa de taipa: haviam tripés escoteiros feitos com bambus.

Moradores da cidade relatam emoção em reviver o evento

“Há anos não vinha em Mirandópolis nessa época. Trouxe minhas filhas e marido para ver uma festa tão tradicional que marcou minha juventude e foi mágico reviver tudo isso” Fernanda Batista.

Juliana Lenguer mãe de um dos escoteiros e moradora do bairro estava muito emocionada podendo rever essa festa no seu local de origem e contou: “Foi com certeza uma emoção muito grande e durante a semana estávamos ansiosos para ver a fogueira sendo montada. Na hora que acendeu foi uma emoção muito grande pois esperávamos muito por esse dia as lágrimas caíram no meu rosto por ver o trabalho maravilhoso que todos fizeram”, e acrescentou:

“Minha filha ficou encantada e achou muito interessante pois foi a primeira vez que viu uma fogueira gigante acesa. Quero agradecer à todos que fizeram parte dessa festa e que venha outras e aos escoteiros e lobinhos e aos pais que foram fundamental obrigado por tudo Deus abençoe muito à cada um.”

A montagem da Fogueira!

João Galinha idealizador da fogueira, se emocionou ao ver o evento retornar. A festa que teve sua primeira edição em 1998, ficou 12 anos interrompida. “Com muito prazer posso falar dessa fogueira. Em 98 , trouxe ela pela primeira vez em Mirandópolis com madeiras que busquei em Pirapozinho, acho que foi o maior desafio da minha vida. Falo até hoje que tanto desafios que já tive, montar essa fogueira, foi o maior.”

Emocionado ainda com o grande sucesso e retorno da tão sonhada fogueira.

“Fico emocionado em só de cortar as árvores, quando começa a cortar, trazer para o local, arrastada pelos tratores da prefeitura, já começa a emocionar. Começa-se os trabalhos desde a fundação da fogueira até os últimos detalhes. Do começo ao fim, não podemos errar. Um erro é fatal.

E a luta começa corre para cá, corre para lá, o homem da madeira não chega, a madeira tá verde, você tem que encomendar a madeira muitos dias antes que são palanques padrão, sendo de três metros, tudo de eucalipto de reflorestamento, que cada vez tá ficando mais difícil para a gente na nossa microrregião para você ter uma ideia esse eucalipto veio de Adamantina da Usina Branco Perez e graças a Deus tivemos a sorte que esse eucalipto ter vindo seco e isso foi um sucesso a fogueira realmente muito gratificante a gente busca uma coisa que ele resgata as tradições.”

João destacou as dificuldades que ainda enfrentou durante o processo de mobilização, junto com Selene Lipe e aliado ao Grupo Escoteiros conta que houve muitos empecilhos. “Uma garra danada, lutamos para que isso acontecesse, tanta coisa contra, que não nos favorecia, lutando contra tudo, não contra todos, mas contra tudo. Precisei ligar no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo e falar com o presidente, mas graças a Deus fomos eliminando as barreiras.

E enfim chegou o grande dia, muita emoção, alegria, ver tudo aquilo a felicidade do povo o brilho no olho em todo mundo, com muita comida, bebida e todos se divertindo. Duas noites sem incidentes, muita alegria, e realmente aconteceu a festa.

Quero só agradecer a Deus sempre porque Ele que nos dá força para buscar tudo isso e a toda a população ao Prefeito Mirão, aos diretores de departamentos que me apoiaram, enfim todo o meu grupo de escoteiros, pai das 62 crianças do grupo e todos aderiram e o sucesso foi realizado.

Já de antemão quero avisar: estará acontecendo novamente a fogueira em julho de 2024 no bairro Colina Verde onde nasceu e de onde nunca mais sairá.”

A frustração virou salvação. O salvador da noite!

Foram consumidos 25 metros cúbicos de lenha eucalipto de reflorestamento, e o momento mais esperado da festa era o momento em que a fogueira seria acesa.
Quem estava presente no evento viu que a primeira tentativa de acender a madeira não deu certo e, de repente um rapaz começa a escalar a madeira determinado a acender o fogo à moda antiga.

O grande herói da fogueira tem nome: Ivan, ele que é funcionário da JM Tendas. Relembra com orgulho a grande aventura:

“Foi um desafio acender a fogueira, todas as vezes a gente acende com uma pombinha: um pavio de pólvora que a gente aciona embaixo e ele sai, indo lá em cima e explode. Mas infelizmente não pode ser usado esse artefato para acender a fogueira. O brilho da noite não poderia ser apagado. Quantas pessoas esperando aquele momento? Então, não pensei duas vezes, vi todos esperando subi e acendi. Veio muita fumaça no meu rosto, graças a Deus deu tudo certo”, contou Ivan.

João Galinha ainda contou da angustia em ver que falhou para acender a fogueira “Deus colocou uma pessoa em nosso caminho, quando vi que falhou os dois modelos que a gente tinha bolado para acender ela o Grilo que é montador da fogueira subiu lá despejou 20 litros de gasolina e a fogueira com os dois sistemas não funcionou; subiu o Ivan e acionou a FOGUEIRA manualmente, onde todos vibraram em ver as chamas acesas, e o vapor na cara, ficou mal por um tempo, mas graças a Deus está bem, isso chama Deus no caminho das pessoas que jamais aquele povo poderia ficar sem ver aquela coisa tão linda que foi obrigado Senhor!

Selene Lipe e o Grupo Escoteiros

“A Fogueira Gigante voltou para o local de sua origem!!!

Nosso atual diretor de Projetos (novo membro da diretoria que compõe o grupo Escoteiro Mirandus Árbues) chefe João Batista de Araújo trouxe a Fogueira Gigante no dia 23 de junho de 1998, como parte das festividades em comemoração ao aniversário da cidade e todos os anos que ela foi montada, teve apoio da Prefeitura em gestão.

Durante muitos anos a Fogueira Gigante foi deixada de lado. Abafada e ignorada por ‘algumas pessoas’ que por vários motivos optaram por não apoiar certas tradições culturais , e colocada como irrelevante diante de vários motivos apresentados como grandes desafios. Mas a Fogueira Gigante jamais foi esquecida pela maioria da população e principalmente pelos moradores do Bairro Colina Verde e bairros vizinhos.

E assim, esse ano, completando 25 anos após a 1ª queima da Fogueira Gigante em Mirandópolis, eis que retorna no mesmo local onde ela nasceu e por seu “pai” (João Batista Araújo).”

Selene Lipe conta como “entrou nessa história”:

Quando o chefe João me chamou para esse grande desafio, aceitei logo de início. Além de trazer a Fogueira Gigante de volta, também era a chance conseguir recursos financeiros para levantar a Sede e o campo escola dos escoteiros.

Começamos a divulgar o grande desafio entre os membros da nossa diretoria e para muitas outras pessoas, mas por vários motivos, parece que ninguém acreditou tanto que esse sonho seria possível. E pouca ajuda tivemos no início.

Recebemos muitos ataques, ofensas e até ameaças.

Até a realização desse evento, muita luta foi travada e só quem viveu os dias nesses últimos meses de batalha sabe dizer o quanto foi árdua!

Como atual diretor de Projetos e na figura do nosso Velho Lobo ( nome dado com carinho ao chefe escoteiro mais velho do Grupo), chefe João fez uma permuta com a prefeitura, onde todas as estruturas necessárias para a praça de alimentação ficasse a custo zero para a Prefeitura e em troca disso, cada comerciante que ali entrasse , doasse 30% de suas vendas em prol da construção da sede e campo escola escoteira.

A prefeitura abraçou a causa, contratou o show e a festa foi organizada e gerenciada por nós.

Foi uma experiência incrível, onde chorei muitas noites com vontade de desistir e eu posso resumir tudo em 3 momentos que jamais vou esquecer:

– Nessa batalha , éramos apenas 2 sonhadores, 2 idealistas cheios de sonhos…de repente fomos ganhando mais braços para se juntar a nós: membros da nossa diretoria escoteira, pais, avós de escoteiros, vários amigos e familiares, comerciantes, padre, enfim. Uma multidão se reuniu e abraçou o nosso sonho.

– Ver nossos lobinhos e escoteiros, todos com seus lenços (identidade escoteira) empenhados em fazer da nossa festa um grandioso momento de alegria para toda a população. Trabalharam as 2 noites e cada momento vinham felizes e repetiam: “Essa Fogueira vai nos trazer nossa sede tão sonhada, chefe”.

– E o 3° momento foi ver a Fogueira Gigante acesa! Foi impossível conter minhas lágrimas. Chorei de emoção, chorei de alegria e choro agora em lembrar!

O Fogo é um símbolo muito especial na vida de um escoteiro. É onde se renovam os sonhos, as esperanças. Na Fogueira os escoteiros se reúnem com grande alegria, fortalecem laços, firmam valores. E ali diante da Fogueira Gigante senti que Deus lavou nossa alma, queimou ali todos os ataques e ofensas que sofremos, queimaram todos os ataques dos inimigos.

A Fogueira Gigante foi acesa de forma manual e não apagou.

Abracei o Chefe João e num suspiro, choramos juntos.

Foi uma festa linda, graças a Deus, e contrariando o desejo da oposição que torceram para que não acontecesse, nossa festa aconteceu de forma espetacular!

Com o dinheiro arrecadado vamos conseguir levantar nossa sede e vamos conseguir também acolher mais crianças para nosso amado Grupo. Nossa família escoteira vai aumentar! Queremos agradecer a todos os pais envolvidos.

Gratidão também à nossa diretoria escoteira, pais e familiares dos escoteiros e a tantas outras pessoas, que de uma forma ou de outra, contribuíram para que essa Festa acontecesse de forma tão especial e cheio de alegrias.

Gratidão à Deus por ter nos sustentado, renovado nossas forças todas as vezes em que as batalhas surgiram para nos derrubar. Deus esteve conosco o tempo todo, enxugou nossas lágrimas e estamos mais fortes do que quando iniciamos. Foi linda nossa Fogueira Gigante! O ano que vem será melhor ainda!” Selene Lipe.

Durante todo o evento o caminhão pipa esteve no local para caso surgisse alguma intercorrência.

Já deixa anotado na sua agenda, separe esse momento que no mês de julho dia 5 e 6 de 2024 acontecerá a próxima Fogueira Gigante. Em breve acompanharemos a construção da sede dos escoteiros.

Allan Mendonça

Jornalista MTB 61494

FONTE: https://diariomais.com.br/fogueira-gigante-volta-apos-12-anos-e-emociona-moradores/

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